1. Um filme interessante mas muito contra a corrente. Demasiado, diria eu. A corrente é a das narrativas "lineares", com argumentos "lineares", diálogos "lineares" e um visual "linear". Tudo o que ousar ir além da histórinha da ordem, com uma acção e um visual a condizer é olhado de lado e sinónimo de snobismo barra elitismo pretensioso. E os preconceituosos acrescentam que só chateiam e não dão prazer a ninguém o que é manifestamente falso...
2. Pois bem, apesar de se tratar de um filme silencioso, vagaroso e lúgubre, que ás vezes parece mesmo desafiar a paciência dos espectadores, através de longos planos só aparentemente estáticos, o filme proporciona o clima ideal para sentirmos e pensarmos sobre a transitoriedade da vida e do modo como ela se transforma e propaga debaixo da superfície opaca das coisas e dos acontecimentos. E isso, sim, isso até dá prazer, apesar de envolver solidão e morte.
3. Em certo sentido, o filme anterior de Gonçalves, habita nestes espaços escondidos e lúgubres do filme, que são também os da memória do realizador e dos espectadores. O Zé Manel (pai da Isabel), encarna de certa forma em António, até na doença e morte que transportam, mas também no legado da memória, exemplo são as folhas de papel escritas e muitas vezes lidas, que são depositárias de quem as souber entender. E Hugo completa o que Isabel rejeitou a princípio e depois tacteando começou a empreender.
1.
ResponderEliminarUm filme interessante mas muito contra a corrente. Demasiado, diria eu.
A corrente é a das narrativas "lineares", com argumentos "lineares", diálogos "lineares" e um visual "linear". Tudo o que ousar ir além da histórinha da ordem, com uma acção e um visual a condizer é olhado de lado e sinónimo de snobismo barra elitismo pretensioso. E os preconceituosos acrescentam que só chateiam e não dão prazer a ninguém o que é manifestamente falso...
2. Pois bem, apesar de se tratar de um filme silencioso, vagaroso e lúgubre, que ás vezes parece mesmo desafiar a paciência dos espectadores, através de longos planos só aparentemente estáticos, o filme proporciona o clima ideal para sentirmos e pensarmos sobre a transitoriedade da vida e do modo como ela se transforma e propaga debaixo da superfície opaca das coisas e dos acontecimentos. E isso, sim, isso até dá prazer, apesar de envolver solidão e morte.
ResponderEliminar3.
ResponderEliminarEm certo sentido, o filme anterior de Gonçalves, habita nestes espaços escondidos e lúgubres do filme, que são também os da memória do realizador e dos espectadores. O Zé Manel (pai da Isabel), encarna de certa forma em António, até na doença e morte que transportam, mas também no legado da memória, exemplo são as folhas de papel escritas e muitas vezes lidas, que são depositárias de quem as souber entender. E Hugo completa o que Isabel rejeitou a princípio e depois tacteando começou a empreender.